Filés e Patês – Autor (des)conhecido

16 11 2009

Esses dias meu amigo me mandou um texto que ele escreveu nessas inspirações da madrugada, e eu comentei sobre postar aqui e ele me cobra isso todos os dias. Mas a real é que achei engraçada a visão dele sobre pessoas, solteiros e namorados.  Um assunto sempre tão polêmico. Quem tá dentro quer sair, quem tá fora quer entrar. Filés querem ser patês, patês querem voltar a ser filés, e muitos se contentam com ovo frito.

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Existem dois tipos de pessoas. Os namorados e as pessoas. Explico.

O cara é muito gente boa. Simpático, engraçado, disposto a tudo, parceiro pra tudo. A menina é linda, inteligente, se dá bem com todo mundo, é o centro das atenções. Eles têm muitos amigos. Falam bem sobre qualquer coisa. Têm programas pra escolher. Nunca precisam assistir Zorra Total, nem Faustão. Os dois são pessoas.

E aí, por um acidente de percurso, namoram. Têm algum tempo de transição entre o estado de pessoa e o de namorado. Mas, fatalmente, transformam-se no segundo tipo. Neste momento, esperam um pelo outro. Se ligam. Esperam. Dormem. Esperam. Criam apelidinhos. Só saem com amigos que também são namorados. Provavelmente não são convidados pros programas das pessoas. Eles são tão divertidos quanto ver grama crescer. Só fazem coisas juntos. Juntos. Junto! Isso. Bom menino.

Os dois tipos de pessoas, as pessoas e os namorados, vivem em dois mundos distintos. No mundo das pessoas, todo momento é uma oportunidade para o novo. A vida é um eterno desafio. Na vida dos namorados, o desafio é viver. Afinal de contas, todo momento é uma oportunidade para estar namorando, e não vivendo.

E assim, filés de gente se transformam em patê. Eram suculentos, tenros e saborosos. As melhores carnes, no ponto, pratos principais. Tcharãm! Versão namorados: um patê bem homogêneo, gelado e com uma folha verdinha em cima. Dá pra encarar se passar no pão. Veja que sorte.

Ainda assim, por incrível que pareça, as pessoas do tipo pessoa, invariavelmente, querem se tornar do tipo namorado. Quando já são, querem continuar sendo.

Até que vem a epifania, e os namorados descobrem que eles precisam mudar. Geralmente, isso encerra o ciclo do tipo namorado. E, enfim, eles se tornam pessoas? Não. Se tornam casados! Mas essa já é outra história.

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