Coisa Estranha

7 08 2009

sentidos

Esses dias meu pai perguntou a minha mãe se ela sentia essa coisa estranha. Essa coisa de pensar, mentalizar e sentir no coração. Sentir forte. Sentir uma vontade de se entregar por inteiro e de ser mais feliz. Sentir uma coisa que não se pode explicar. E eu fiquei pensando nisso, nas nossas fracassadas tentativas de sempre tentar descrever sentimentos. Quando na verdade só precisamos sentir. E eu achei engraçada a maneira que meu pai falou, do poder que nossa mente tem sobre nós. Nossa mente que é literalmente tão pequena comparada ao restante do corpo. Mas basta pensar em alguma coisa, que as respostas do organismo são nitidamente sentidas.

Encontrar determinada pessoa na rua é capaz de fazer o coração disparar. Ele bate tão forte que parece uma bateria de escola de samba, parece que a outra pessoa é capaz de ouvir esse tambor que tem dentro de você. Tudo isso porque, de alguma forma, essa pessoa está posicionada em sua cabeça. Acredito que seja de uma forma boa. E, lembrar de alguma coisa que essa pessoa fez é motivo pra te fazer sorrir o dia inteiro.

Uma ligação inesperada tem a força de um terremoto, parece que o corpo não obedece mais aos seus comandos, o pensamento voa e logo o corpo treme, depois as tentativas de falar  são em vão, porque a voz não sai. Justo você que sempre foi tão tagarela. Um simples e-mail pode te fazer sentir aqueles calafrios que parece ter uma geladeira bem no meio do seu peito, bombeando sangue numa temperatura de -5ºC para todos os lados. Assim como um olhar pode te deixar tão quente, que você chega a perceber seu rosto em chamas, aí todo mundo te olha e diz “não precisa ficar vermelha”, tá bom gente, eu sei que não precisa, não é que eu queira, é que acontece. E você eu não sei, mas eu fico ainda mais vermelha quando falam. Vermelha de raiva.

Às vezes, você lembra daquela pessoa. Dos momentos. Das coisas que viveu. E dá uma saudade, um aperto no peito. Como se tivesse alguém ali, sem dó nem piedade, apertando seu coração com as duas mãos. Mas como sentimos no peito se pensamos na cabeça? Do mesmo jeito que apertamos o botão na parede e a luz acende no teto. Você não precisa tentar entender, muito menos tentar explicar como o eletricista fez. A luz acende, e isso basta.

Anúncios