Coração gelado

27 07 2009

frio_2

Os dias andam tão frios ultimamente. E não há nada pior do que olhar pela janela e ver tudo assim, tão cinza. Ver tudo assim, tão frio. Eu ando tão fria ultimamente, mais do que esse tempo que deixa minhas mãos geladas e sem circulação. Mais do que esse tempo que me dá vontade de ficar quietinha na cama esperando o verão chegar. Mais do que esse inverno que me faz lembrar tantas coisas. Tantas coisas que eu queria e deveria esquecer, como se fosse tão simples e tão fácil. Eu finjo que sei jogar esse teu jogo, mas a verdade é que eu não sei. Nunca soube. E mesmo assim me arrisco a jogar sem ler as regras, afinal, a gente joga há tanto tempo que eu já deveria saber de cor.

Deveria saber que devo me manter fria a cada olhar seu, que devo me manter fria toda vez que me liga, que devo me manter fria também nos dias depois que vai embora. E que devo ser cortante, assim como esse vento que bate no meu rosto todos os dias pela manhã, cortante como o gelo que você coloca na sua dose de wisky com guaraná. Eu deveria saber que, nesse jogo, suas faltas são maiores do que os lances certos. Que depois daquele gol o bandeirinha sempre aponta mostrando o impedimento. E que depois de correr tanto dou de cara com um belo pênalti. Eu deveria saber que é hora de te dar um cartão amarelo ou quem sabe te expulsar no segundo tempo. Sim, eu deveria saber. E eu até sei. Mas a verdade é que acabo perdendo o controle do jogo, um jogo que não tem restart. E te deixo ganhar.

E você sorri como se ganhasse um troféu. E sai de campo com a certeza de que vai me ver na próxima partida. E eu vou bem mais preparada do que eu vim até agora. Dessa vez eu li as regras e juro que vou tentar seguir. Aproveitei esse frio para esfriar os sentimentos que insistiam em queimar aqui dentro. Aproveitei esse inverno para congelar meu coração de forma que ele não mais se derreta pra qualquer fogo que aparece.

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P.S Esse texto foi escrito após uma conversa (trocas de experiências) com a Carol Fernandes. 😉